Olá, meus queridos leitores e viajantes curiosos! Quem aí nunca se pegou pensando sobre a complexa história da Colômbia? É um país que eu, particularmente, tenho um carinho enorme e que carrega consigo uma narrativa tão rica quanto dolorosa.
Hoje, quero convidar vocês para uma imersão em um dos capítulos mais marcantes e, para muitos, ainda presente na memória coletiva: o conflito armado colombiano e a história das FARC.
Não é segredo para ninguém que a Colômbia viveu por mais de meio século sob a sombra de uma guerra interna que, infelizmente, ceifou a vida de milhares de pessoas e deslocou milhões, deixando cicatrizes profundas.
As FARC, que nasceram lá nos anos 60 com ideais de reforma agrária, acabaram se transformando em um grupo guerrilheiro temido, envolvido em narcotráfico e sequestros.
É uma história que nos faz refletir sobre os caminhos tortuosos que a busca por justiça pode tomar. Mesmo com o histórico Acordo de Paz de 2016, que prometeu um novo começo e viu a guerrilha depor as armas e buscar a vida política, sabemos que a paz é um processo contínuo e cheio de desafios.
A Colômbia de hoje ainda lida com as consequências desse passado e os esforços para construir uma “paz total” seguem a todo vapor, com a sociedade e o governo buscando formas de curar feridas e garantir um futuro mais justo para todos.
É fascinante observar como um país tão resiliente se reinventa e tenta superar um legado tão pesado. Para mim, acompanhar de perto essas transformações é entender um pouco mais sobre a força do espírito humano.
Abaixo, vamos desvendar juntos os detalhes desse cenário complexo e entender o que realmente significa esse legado para a Colômbia atual. Prepare-se para uma leitura que vai te fazer pensar e sentir.
O Cenário que Gerou a Tempestade: Um Olhar para as Origens

A Colômbia é um país de contrastes e sua história é prova disso. Quando olhamos para as raízes do conflito armado, percebemos que não se trata de um evento isolado, mas sim de um emaranhado de tensões sociais, econômicas e políticas que se acumularam ao longo de décadas.
Eu, que sempre me interessei pela América Latina, vejo que muitos desses conflitos têm origens profundas na disputa por terra e nas desigualdades sociais, e a Colômbia não foi diferente.
O período conhecido como “La Violencia”, que se estendeu de 1948 a 1958, foi um marco sangrento de confrontos entre liberais e conservadores, que deixou cicatrizes profundas na memória do povo colombiano e pavimentou o caminho para o surgimento de grupos armados.
Essa polarização e a repressão anticomunista dos Estados Unidos na Colômbia rural dos anos 1960 foram um caldo cultural perfeito para a reorganização de militantes em guerrilhas.
É como se a própria terra estivesse pedindo uma mudança, e as pessoas, cansadas de esperar, começassem a buscar seus próprios caminhos, por mais tortuosos que fossem.
Disputas Agrárias e a Semente da Insurgência
As FARC nasceram, em grande parte, de um desejo por reforma agrária e de um movimento de resistência camponesa. As comunidades rurais, muitas vezes esquecidas pelo Estado, viam na luta armada uma forma de defender seus direitos e buscar uma distribuição mais justa da terra.
É um sentimento que consigo entender, afinal, quem não quer ter um pedaço de chão para chamar de seu e cultivar com dignidade? A oficialização do grupo, em 1964, após um ataque militar a Marquetalia, um povoado camponês, transformou a resistência em uma guerrilha organizada.
Manuel Marulanda Vélez, conhecido como “Tirofijo”, foi um dos fundadores e é uma figura central nessa narrativa. Para mim, é um lembrete de como a falta de atenção às necessidades básicas das pessoas pode gerar movimentos com consequências tão amplas e duradouras.
A Influência da Geopolítica na Escalada do Conflito
Não podemos ignorar que o contexto da Guerra Fria também teve um papel fundamental na ideologia e expansão das FARC. Inspiradas pelo marxismo-leninismo e pela Revolução Cubana de 1959, as FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo) buscavam estabelecer um estado socialista e se opunham veementemente à influência americana na Colômbia.
Essa ideologia lhes deu uma base para justificar suas ações e atrair novos membros, especialmente entre os mais jovens e desfavorecidos. Eu vejo isso como um exemplo de como conflitos locais podem ser inflados por tensões globais, transformando uma luta por direitos em uma batalha ideológica que transcende as fronteiras do país.
A Complexa Teia do Conflito: Expansão e Atuação
Ao longo das décadas, as FARC deixaram de ser apenas um grupo camponês para se tornar uma força guerrilheira com atuação em boa parte do território colombiano.
Eu me recordo de ver as notícias e ficar impressionado com a capacidade de organização e expansão que eles demonstraram. Mas, infelizmente, essa expansão veio acompanhada de uma transformação na sua forma de financiamento e atuação, o que, para muitos, manchou os ideais iniciais do grupo.
Essa é uma parte da história que me faz refletir sobre como o poder e a necessidade de recursos podem desvirtuar até mesmo as causas que nasceram de um anseio por justiça social.
O Dinheiro da Illegalidade: Narcotráfico e Sequestros
Com o tempo, as FARC se envolveram cada vez mais com atividades ilícitas, como o narcotráfico e o sequestro. Essa mudança estratégica, que se intensificou a partir dos anos 1990, forneceu ao grupo uma fonte de renda bilionária, permitindo-lhes adquirir armamentos e expandir sua presença territorial.
É difícil aceitar que uma organização que começou com ideais de justiça tenha se tornado tão dependente de atividades que causam tanto sofrimento. O dinheiro do narcotráfico se tornou um combustível para a guerra, prolongando o conflito e dificultando ainda mais a busca pela paz.
Eu, particularmente, vejo essa conexão entre a guerrilha e o narcotráfico como um dos pontos mais tristes e complexos dessa história, mostrando como a guerra pode criar ciclos viciosos de violência e ilegalidade.
Táticas de Combate e Controle Territorial
As FARC eram conhecidas por suas táticas de guerrilha, incluindo ataques a forças militares, sabotagens à infraestrutura e o controle de vastas áreas rurais, especialmente no sudeste da Colômbia.
Minha impressão é que essa presença forte em áreas remotas lhes garantia não apenas refúgio, mas também uma base de apoio entre parte da população local.
O uso de minas antipessoais, por exemplo, foi uma tática devastadora que deixou milhares de vítimas, muitos deles civis, inclusive crianças, com sequelas permanentes.
A amplitude do seu poder era tamanha que, em seu auge, chegaram a ter entre 12.000 e 18.000 membros, controlando cerca de 40% do território colombiano, principalmente em florestas e selvas.
É chocante pensar no impacto que isso teve na vida das pessoas que viviam nessas regiões, muitas vezes encurraladas entre diferentes grupos armados.
O Sofrimento Silencioso: O Impacto na População Civil
A guerra é sempre cruel, mas o conflito colombiano me faz pensar na resiliência de um povo que, por mais de 50 anos, conviveu com a violência. A população civil foi, sem dúvida, a mais afetada, e as histórias de sofrimento são incontáveis.
Eu me emociono ao pensar nas famílias que perderam seus entes queridos, nas crianças que cresceram em meio ao medo e nas comunidades que tiveram suas vidas viradas de cabeça para baixo.
É um lembrete doloroso de que, em qualquer conflito, são os inocentes que pagam o preço mais alto.
A Tragédia dos Deslocamentos Forçados
Um dos efeitos mais devastadores do conflito foi o deslocamento forçado de milhões de pessoas. Famílias inteiras tiveram que abandonar suas casas, suas terras e suas vidas para fugir da violência, buscando refúgio em outras regiões ou nas grandes cidades, muitas vezes em condições precárias.
Para mim, a ideia de ter que deixar tudo para trás, sem saber se um dia poderá voltar, é algo inimaginável e profundamente triste. Estima-se que mais de sete milhões de pessoas foram deslocadas internamente, com cerca de 70% delas sendo menores de 18 anos.
É uma estatística que me corta o coração, mostrando como a guerra rouba a infância e o futuro de tantos jovens.
Cicatrizes Invisíveis: O Trauma Psicológico
Além das perdas materiais e físicas, o conflito deixou cicatrizes profundas na saúde mental da população. O medo constante, a violência presenciada e a perda de entes queridos geraram traumas que persistem por gerações.
Eu já li relatos de pessoas que, mesmo após o fim dos combates, ainda vivem com a ansiedade, a depressão e a dificuldade de confiar no próximo. A guerra não termina quando as armas silenciam; ela continua a ecoar na mente e no coração das vítimas.
É um desafio imenso para a Colômbia de hoje oferecer o suporte psicossocial necessário para curar essas feridas invisíveis e reconstruir a vida dessas pessoas.
Os Caminhos e Descaminhos da Paz: Negociações e Acordos
Depois de tanto tempo de conflito, a busca pela paz se tornou uma prioridade. Eu acompanhei as negociações com uma mistura de esperança e ceticismo, afinal, não é fácil desfazer décadas de violência e desconfiança.
Mas o processo de paz, por mais imperfeito que fosse, representou um passo importante para a Colômbia, mostrando que o diálogo, por mais difícil que seja, é sempre o melhor caminho.
O Acordo Histórico de 2016 e Seus Desafios
As negociações entre o governo colombiano e as FARC, que tiveram início em 2012 e foram realizadas principalmente em Havana, Cuba, culminaram na assinatura do Acordo Final de Paz em 2016.
Foi um momento histórico, que prometia o fim de mais de meio século de conflito. Eu me lembro da emoção de ver os líderes assinando o acordo, um símbolo de esperança para todo o país.
No entanto, o caminho não foi linear. O acordo foi inicialmente rejeitado em um plebiscito nacional em outubro de 2016, com uma margem apertada. Essa rejeição me fez pensar na profundidade das divisões na sociedade colombiana e na dificuldade de se chegar a um consenso após tanto sofrimento.
No entanto, um acordo revisado foi assinado em novembro do mesmo ano e ratificado pelo Congresso.
| Marco | Data Aproximada | Breve Descrição |
|---|---|---|
| Início das Negociações | Setembro de 2012 | Diálogos formais em Havana, Cuba, entre o Governo Colombiano e as FARC. |
| Anúncio do Acordo Final | 24 de agosto de 2016 | Negociadores anunciam acordo final para encerrar o conflito. |
| Assinatura do Primeiro Acordo | 26 de setembro de 2016 | Cerimônia de assinatura pública entre o Presidente Santos e o líder das FARC, Rodrigo Londoño. |
| Rejeição no Plebiscito | 2 de outubro de 2016 | O acordo é rejeitado por uma pequena margem em referendo nacional. |
| Assinatura do Acordo Revisado | 24 de novembro de 2016 | Um novo acordo é assinado após revisão de alguns termos. |
| Ratificação pelo Congresso | 29 e 30 de novembro de 2016 | O Congresso da Colômbia ratifica o acordo revisado, encerrando oficialmente o conflito. |
| Início da Implementação | 1º de dezembro de 2016 | Acordo de paz começa a ser implementado, com desmobilização gradual dos rebeldes. |
A Desmobilização e a Reintegração
Com o acordo, cerca de 9.000 combatentes das FARC entregaram suas armas, iniciando um complexo processo de desarmamento, desmobilização e reintegração à sociedade.
Para mim, este é um dos aspectos mais desafiadores da paz, pois não basta depor as armas; é preciso reconstruir vidas, oferecer oportunidades e garantir que essas pessoas possam se tornar parte produtiva da sociedade.
A desmobilização dos grupos paramilitares de direita em 2003 serviu como um precedente, mas o processo com as FARC era em uma escala muito maior, com custos significativos em termos de investimentos sociais e econômicos.
É um esforço contínuo que exige paciência, recursos e um compromisso de longo prazo de todas as partes envolvidas.
Colômbia Pós-Acordo: Entre a Esperança e a Complexidade

A assinatura do acordo de paz em 2016 não foi um ponto final, mas sim um novo capítulo. Eu, que sou um otimista incurável, sempre acreditei na capacidade de um país se reerguer, mas também sou realista e sei que a construção da paz é um processo longo e cheio de obstáculos.
A Colômbia de hoje é um exemplo vivo dessa dualidade, com avanços significativos, mas também com desafios persistentes.
Os Efeitos da Paz na Economia e na Sociedade
Com o fim do conflito armado, havia uma grande expectativa de que a economia colombiana pudesse decolar. Afinal, a imagem de violência que o país carregava por décadas era um entrave para investimentos e turismo.
Eu me lembro de análises que projetavam um crescimento adicional do PIB e um aumento significativo nos investimentos estrangeiros. E, de fato, o turismo floresceu em muitas regiões que antes eram inacessíveis, revelando a beleza e a diversidade cultural da Colômbia para o mundo.
É inspirador ver como a paz pode abrir portas para o desenvolvimento e para novas oportunidades. No entanto, a implementação do acordo tem sido mais lenta do que o esperado em algumas áreas, e a presença do Estado ainda é frágil em muitas regiões antes controladas pela guerrilha.
Desafios Persistentes: Dissidências e Novas Dinâmicas de Violência
Apesar do acordo, nem todos os membros das FARC aceitaram a paz, e grupos dissidentes continuam ativos em algumas regiões, muitas vezes envolvidos com o narcotráfico e outras atividades ilegais.
Essa realidade me faz pensar que a paz é um mosaico, e que, enquanto houver grupos armados, a segurança e a estabilidade de algumas comunidades continuarão ameaçadas.
O governo colombiano enfrenta o desafio de lidar com essas novas dinâmicas de violência, que incluem também outros grupos armados e organizações criminosas.
Além disso, a implementação dos pontos do acordo de paz, como a reforma agrária e a reparação às vítimas, continua sendo um trabalho árduo e complexo.
É um lembrete de que a paz não é um destino, mas uma jornada contínua.
Reconstruindo Tecidos: Reconciliação e Memória
Mais do que simplesmente silenciar as armas, a Colômbia tem um trabalho imenso de reconstrução social e emocional pela frente. Eu sinto que a reconciliação é o coração de todo esse processo, mas ela só pode acontecer quando há um reconhecimento da dor e um esforço genuíno para curar as feridas.
É um caminho que exige coragem, empatia e a disposição de olhar para o futuro sem esquecer o passado.
A Importância da Justiça de Transição
Para que a reconciliação seja possível, é fundamental que haja justiça. O acordo de paz previu a criação de um sistema de justiça de transição, incluindo uma Jurisdição Especial para a Paz (JEP) e uma Comissão da Verdade, para investigar os crimes cometidos durante o conflito e garantir a reparação às vítimas.
Eu acredito firmemente que, para virar a página, é preciso primeiro ler todas as suas linhas, entender o que aconteceu e responsabilizar os envolvidos, sejam eles guerrilheiros, paramilitares ou agentes do Estado.
É um processo doloroso, mas necessário para que as vítimas possam encontrar algum tipo de alívio e para que a sociedade colombiana possa construir um futuro baseado na verdade e na não repetição.
Iniciativas de Reconciliação e Construção de Paz Local
Mesmo com os desafios, há inúmeras iniciativas de base, lideradas por comunidades e organizações da sociedade civil, que estão trabalhando ativamente pela reconciliação e pela construção da paz em seus territórios.
Eu vejo esses projetos, que vão desde a construção de memória histórica até a promoção da convivência pacífica, como exemplos inspiradores da força do espírito humano.
Jovens e mulheres têm um papel fundamental nesses processos, mostrando que a nova geração está comprometida em construir um futuro diferente do passado violento.
É nesses pequenos gestos, nessas ações locais, que vejo a verdadeira semente da paz florescer na Colômbia.
Um Futuro em Construção: Lições de Resiliência
Ao olhar para a Colômbia, não consigo deixar de me sentir otimista, apesar de todos os percalços. O país está em um processo contínuo de cura e transformação, e a resiliência do povo colombiano é algo que me impressiona profundamente.
Eu acredito que a história da Colômbia, com todas as suas complexidades e dores, também é uma história de esperança e de uma busca incansável por um futuro melhor.
O Legado da Experiência Colombiana para o Mundo
O processo de paz na Colômbia, com seus avanços e retrocessos, oferece lições valiosas para outros países que enfrentam conflitos internos. Eu, que adoro viajar e aprender com diferentes culturas, vejo que a experiência colombiana nos mostra que a paz não é um evento, mas sim um processo dinâmico que exige compromisso político, participação da sociedade civil e uma abordagem abrangente para lidar com as causas profundas da violência.
É uma jornada que nos ensina sobre a complexidade da reconciliação, a importância da justiça e a força da resiliência humana diante das adversidades.
O Compromisso com a Paz Total e a Nova Geração
Hoje, a Colômbia se volta para o conceito de “paz total”, buscando estender os esforços de negociação a outros grupos armados remanescentes e consolidar a presença do Estado em todo o território.
Minha esperança é que as novas gerações, que não viveram a guerra em sua plenitude, possam crescer em um país onde o diálogo prevaleça sobre a violência, e onde as oportunidades sejam acessíveis a todos.
É um futuro que está sendo construído dia após dia, com a participação de todos os colombianos, e eu, como observador e entusiasta do país, torço para que essa jornada seja bem-sucedida e inspire outros a seguir o mesmo caminho.
Para Concluir
Meus amigos, chegamos ao fim de mais uma jornada de conhecimento e reflexão. Escrever sobre a Colômbia e o conflito das FARC é sempre um mergulho profundo em emoções e aprendizados. Eu espero, de verdade, que essa nossa conversa de hoje tenha te feito enxergar a complexidade e a resiliência desse país de uma forma mais humana e empática. Afinal, por trás dos títulos de jornal, existem histórias de vida, de superação e de uma busca incessante pela paz. Vamos juntos celebrar a força de um povo que, apesar de tudo, não desiste de construir um futuro de esperança.
Informações Úteis para Saber
1. Se você tem curiosidade de ir além do que contamos aqui, procure documentários e livros escritos por jornalistas e historiadores colombianos. A perspectiva local é sempre a mais rica para entender as nuances desse período. Eu mesma já me emocionei com alguns relatos que encontrei!
2. Ao planejar uma viagem para a Colômbia, saiba que o país está muito mais seguro e aberto ao turismo. Cidades como Medellín, antes associada ao narcotráfico, hoje são exemplos de transformação urbana. É incrível ver como o turismo de aventura e cultural cresceu por lá.
3. Se por acaso você encontrar alguém que viveu o conflito de perto, seja respeitoso e ouça com atenção. Muitos ainda carregam as cicatrizes desse tempo, e a empatia é fundamental para a construção da memória e da reconciliação.
4. Para quem se interessa pela cultura, a Colômbia é um caldeirão de ritmos e sabores! Não deixe de experimentar a bandeja paisa, a arepa e, claro, o café colombiano, que é considerado um dos melhores do mundo. Uma experiência para os sentidos, eu garanto!
5. Apesar de o Acordo de Paz ter sido assinado em 2016, a implementação de seus pontos ainda é um processo contínuo e com desafios. Fique por dentro das notícias para entender como o país segue avançando em sua busca por uma paz duradoura.
Pontos Chave a Reter
Olha, depois de tudo que conversamos, o mais importante é entender que a história da Colômbia e das FARC é um tecido complexo, que não pode ser simplificado. O conflito armado, que durou mais de meio século, teve raízes profundas em questões agrárias e desigualdades sociais, e foi alimentado por uma série de fatores, incluindo a Guerra Fria e, infelizmente, o narcotráfico. É essencial lembrar que a população civil foi quem mais sofreu, com milhões de deslocados e cicatrizes psicológicas que ainda persistem.
O Acordo de Paz de 2016 foi um marco histórico, sim, mas a paz não é uma linha de chegada; é uma jornada. A Colômbia continua em seu caminho de reconstrução, enfrentando desafios como as dissidências e a necessidade de uma justiça de transição que realmente repare as vítimas e promova a reconciliação. Minha experiência me diz que a resiliência do povo colombiano é algo a ser admirado. Eles estão, a cada dia, escrevendo um novo capítulo, buscando construir uma “paz total” e garantir que as novas gerações possam viver em um país onde a violência seja apenas uma lembrança do passado. É um exemplo de que, mesmo nas maiores adversidades, a esperança e a capacidade de superação humana sempre encontram um caminho.
Perguntas Frequentes (FAQ) 📖
P: Como as FARC surgiram e quais eram as suas motivações iniciais antes de se tornarem o grupo que conhecemos?
R: Ah, essa é uma pergunta que me faz viajar no tempo para entender as raízes profundas de um conflito tão complexo. As FARC, ou Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, não apareceram do nada, sabe?
A história delas está entrelaçada com um período bem turbulento da Colômbia, que chamamos de “La Violencia” nos anos 40 e 50, uma época de intensas disputas entre liberais e conservadores que deixou o campo colombiano em chamas.
Eu vejo isso como um berço de insatisfação. Lá pelos anos 60, com a sombra da Revolução Cubana inspirando muitos movimentos na América Latina, grupos de camponeses, alguns com ideais comunistas e liberais, começaram a se organizar.
Eles estavam cansados de ver suas terras e suas vidas desrespeitadas, clamando por uma reforma agrária justa e por um Estado mais equitativo. O marco que muitos apontam como o nascimento oficial das FARC foi em 1964, após um ataque militar contra uma comunidade camponesa em Marquetalia.
Para mim, essa foi a gota d’água que transformou a resistência camponesa em uma guerrilha armada, buscando, no início, defender esses ideais de justiça social e um governo socialista.
É fascinante como algo que começa com ideais tão fortes pode, com o tempo, desvirtuar-se e tomar caminhos tão sombrios, como infelizmente aconteceu com o envolvimento no narcotráfico e sequestros a partir dos anos 80, o que gerou uma separação do Partido Comunista Colombiano.
P: O conflito armado com as FARC deixou muitas cicatrizes. Quais foram os impactos mais dolorosos para a vida das pessoas comuns na Colômbia?
R: Essa é uma parte da história que me toca profundamente, porque não falamos apenas de números, mas de vidas e sonhos despedaçados. O impacto do conflito armado na Colômbia foi avassalador para a população civil, algo que eu, de verdade, mal consigo imaginar a dimensão.
Pense comigo: mais de meio século de guerra significa gerações inteiras vivendo sob a constante ameaça da violência. Os números falam por si, mas a dor real está por trás deles.
Milhares de pessoas morreram – e o mais chocante é que a maioria eram civis, não combatentes. Milhões foram deslocadas de suas casas, suas terras, seus amigos, suas histórias.
Quase 70% desses deslocados eram crianças e adolescentes, o que me faz pensar nas infâncias roubadas e nos traumas que carregam. Famílias foram separadas, comunidades inteiras ficaram confinadas, sem poder trabalhar ou ter acesso a serviços básicos.
Sem contar os sequestros, uma prática cruel que gerou angústia e incerteza inimagináveis para tantas famílias que, muitas vezes, nunca mais viram seus entes queridos.
Outro ponto que me arrepia é o uso de minas antipessoais, que continuam a mutilar e matar, e o recrutamento forçado de menores, transformando crianças em soldados.
É uma realidade dura que nos mostra o quão resiliente o povo colombiano precisa ser para seguir em frente e tentar curar essas feridas. Eu acredito que entender essa dor é o primeiro passo para valorizar a busca pela paz.
P: O Acordo de Paz de 2016 foi um marco, mas a Colômbia está realmente em paz hoje? Quais são os maiores desafios atuais para a “Paz Total”?
R: Essa é uma daquelas perguntas que me fazem suspirar, sabe? Porque, como eu disse antes, a paz é um processo, não um botão que se liga. O Acordo de Paz de 2016 com as FARC foi, sim, um momento histórico, um alívio imenso para muitos, e deu ao ex-presidente Juan Manuel Santos o Prêmio Nobel da Paz.
As FARC, em sua maioria, depuseram as armas e se transformaram em um partido político, o Comunes, o que foi um passo gigante. No entanto, a Colômbia de hoje ainda está longe de uma “Paz Total”, e vejo que muitos desafios persistem, alguns até se intensificaram.
Para mim, o maior deles é a reconfiguração e a expansão de outros grupos armados ilegais que preencheram o vácuo deixado pelas FARC em algumas regiões.
Temos dissidentes das FARC que não aceitaram o acordo e continuam na luta armada, muitas vezes fortemente ligados ao narcotráfico. Além deles, grupos como o ELN (Exército de Libertação Nacional) e o poderoso Clan del Golfo continuam atuando, disputando territórios, especialmente aqueles ricos em cultivos ilícitos, gerando novas ondas de violência, confinamento e deslocamento de comunidades.
Sinto que a implementação do próprio Acordo de 2016 tem sido lenta e cheia de obstáculos, principalmente no que diz respeito à reforma agrária e à presença efetiva do Estado em áreas rurais que antes eram controladas pela guerrilha.
Essa falta de cumprimento alimenta a desconfiança da população nos processos de paz. Outro ponto que me entristece é a persistência dos assassinatos sistemáticos de líderes sociais e defensores dos direitos humanos.
A política de “Paz Total” do governo atual, embora ambiciosa, enfrenta o desafio enorme de negociar com múltiplos grupos ao mesmo tempo, em um cenário onde a violência e a desconfiança ainda são muito presentes.
É um caminho longo e cheio de curvas, mas a esperança de um futuro mais justo e seguro continua a impulsionar o povo colombiano.






